terça-feira, 29 de maio de 2012

The Unicorns {na minha playlist - especial}


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quarta-feira, 28 de março de 2012

Aquela garota


Sim, ela era aquela garota. Aquela que passava esmalte preto torcendo para que não ficasse forte demais. Aquela que olhava o novo penteado de todos os ângulos antes de sair de casa até ter um resquício de certeza de que ninguém o acharia bizarro. E que, mesmo assim, não parava de ajeitar a franja compulsivamente. Aquela que tentava ver, ouvir e sentir a si mesma do ponto de vista de todas as outras pessoas do mundo, só para saber se sua esquisitice também era tão nítida assim para os outros quanto era para ela. Aquela que omitia umas boas respostas de vez em quando só por medo de estar errada. Talvez só pela possibilidade de estar errada existir. Aquela que evitava olhar para trás (ou para dentro) de vez em quando com medo de doer. Era ela. Aquela que sentia raiva de si mesma quando sorria sem vontade por puro receio de que percebessem que estava com raiva. Aquela que engolia uma boa ideia ou uma brincadeira engraçada por achar que não era o momento certo. Aquela que se sentia no lugar errado, na hora errada. Como se tivesse perdido o “timing” em algum momento, num passado remoto. E era aquela que sentia vontade de chorar às vezes. 

Aquela garota. A fraca e insegura. Que não gostava de se autodenominar covarde por achar essa uma palavra forte demais. E que, mesmo assim, não assumia jamais as próprias fraquezas. Porque, em sua cabeça tola, ser aceita era só mais uma das muitas obrigações. Porque repetia frases decoradas e frases inventadas como mantras em frente ao espelho (ou deitada de olhos fechados) numa tentativa falha de aliviar o peso, sem sucesso porque acreditar em desconhecidos era difícil. Principalmente quando a desconhecida era ela própria. 

Sim, ela era aquela garota. Ou, melhor dizendo, ela também era aquela garota. Aquela que enxergava à sua frente quando, por um descuido, esquecia a autoconfiança largada por aí. Aquela que sentia escondida às suas costas quando, cheia de coragem, se punha a defender os próprios ideais. E aquela que sempre caminhava ao seu lado, mas não gostava de tomar a dianteira. Só que se via obrigada a fazer isso quando a garota forte recuava. Aquela que era ela, de fato, mas não a definia por completo. Aquela que ela era sem deixar de ser a outra. Aquela que ela era no passado e que seria de novo muitas vezes no futuro. Mas não era ela agora. Agora ela era a que analisava, sem temer. A que questionava, sem cobrar. A que, sobretudo, enxergava, sem chorar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Labirinto


Ela fazia o tipo difícil. Seus motivos eram não só secretos, mas também desconhecidos. Recusava-se a culpar a incompreensão. Recusava-se a sentir autopiedade e, mais ainda, a dizer-se arrependida. Não culpava outros, de qualquer forma. Não culpava ninguém.

Já tinham lhe dito, certa vez, que possuía... Como era mesmo? Um caráter vigarista. E foi com um sorriso que recebeu tal notícia. Sorriso esse cheio de ironia. E a irônica não era ela, não. A ironia era a vida. Sua vida. Como se alguém se divertisse com cada novo acaso tão bem estruturado que sequer parecia improvisado. Bem, pelo menos alguém se divertia. 

Ela tampouco se culpava, mas sabia que era a única a não o fazer. Contudo também era a única a se importar. Se ela não se importasse, então quem iria? Ninguém, pois era assim que ela escolhera. Escolhera viver com seu caráter esquisito, seu egoísmo abrangente e seu senso de humor malsucedido.

O que poucos sabiam é que um dia ela cresceu. Cresceu? Sim, mas talvez imaturidade nunca tivesse sido a questão. A questão é que se viu livre no momento em que reconheceu que era seu direito sair em busca. Daquilo tudo que lhe foi tirado e do que não lhe foi apresentado.

Então ela foi e, por muito tempo, se sentiu perdida. Encontrou de tudo, mas não o que procurava. Desencontrou-se. Procurou se perder mais um pouco e qual não foi sua surpresa quanto tornou a se encontrar? O mais engraçado é que sentiu saudades! Sua velha eu que, afinal, de velha não tinha nada. Sua nova eu que, por algum motivo, continuava tão parecida consigo mesma!

Até que parou. Pensou. E percebeu que estava na hora de parar e pensar de verdade. Tomou a distância necessária para ter de todo o resto uma visão privilegiada e assim ficou. O tempo passou. E a quantas descobertas não chegou? Com tudo isto, esperava conquistar a tão clamada paz de espírito, mas o que conseguiu mesmo foi uma alma ainda mais inquieta e curiosa. 

E agora, para onde ir? Tudo o que estava ao seu alcance já tinha sido feito. O que estava além também já tinha sido tentado. Saltos no escuro, corridas contra o tempo, caminhadas persistentes. Tudo. Tudo. Mas talvez... não tudo. Oh, claro, porque tudo era impossível. E essa era a graça e o martírio. Sempre haveria uma saída e novos caminhos, como que a desafiá-la a ir se embrenhando cada vez mais no labirinto sem fim. E o que ela achava disto? Bem, ela fazia o tipo difícil. E para este tipo, a última alternativa é apenas mais um caminho a se seguir.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Esperar



compus essa música no dia 11 de fevereiro de 2012
digamos que é para meu pai

Esperar

Quando você vai chegar? 
E se for, um dia vai voltar? 
Porque eu já cansei de esperar e esperar e esperar e esperar.

Será que um dia você vai parar? 
Será que é capaz de notar? 
Que eu já cansei de esperar e esperar e esperar e esperar.

Cansei de desejar 
estar em outro lugar 
Só pra você não 
me ver mais chorar.

Não me faça procurar
o que já não quero encontrar. 
Não, não venha mais.
Não precisa mais voltar pra me buscar.

Não precisa mais escutar.
Quando for, nem precisa olhar.
Porque eu já cansei de esperar e esperar e esperar e esperar. 

Você não vai mais me ouvir chamar 
Não vou mais tentar te amar 
Porque eu já cansei de esperar e esperar e esperar e esperar.

video


Enfim, desculpem o desafino. Não sou, nunca fui e nem pretendo ser cantora. Acontece que faço aquele tipo difícil de demonstrar o que sente. Por isto, desde criança, aprendi, por necessidade, que não só por gestos e palavras ditas uma pessoa se expressa. Então me beneficio de todos os meios de expressão a meu alcance. Escrita, música, artes em geral. E não é só o desejo de exprimir aquilo que trago intrínseco que me move. Quem não gosta de uma música que não carrega só notas, mas também sentimento? Quem não gosta de encontrar na leitura não só uma fuga da realidade, mas também algo mais que vem de encontro à alma? É por isto que escrevo, componho, enfim, sinto.

Minha imaginação fértil e a dificuldade em tirar os pés do chão


Minha imaginação fértil e a dificuldade em tirar os pés do chão. Minha enorme capacidade de me perder dentro de mim mesma e a distância segura que mantenho das pessoas. A decepção que sinto cada vez que te conheço melhor e meu crescente e insaciável interesse por tudo que diz respeito à humanidade. A vontade de poder parar o mundo apenas para que possam me ouvir, uma única e utópica vez, em que eu diria algo como “Pare, não é assim que as coisas deveriam funcionar”.

Porque não é assim que as coisas deveriam funcionar. Ou ainda, na minha eterna consciência contraditória, “As coisas não deveriam ter um jeito certo de ser”. E não tem. Então parem de me confundir com seus ideais tortos. Com seu ambiente contagioso e suas palavras vazias. Com sua insana vontade de querer ter sempre a razão. Não podem querer possuir algo que está fora de alcance. Pelo menos enquanto criatura etérea e multifacetada que são. E não sabe que são. Talvez a insana seja eu.

Minha eterna incapacidade de fazer sentido. Tão mutável quanto possível e inevitável. A vontade distante e às vezes palpável de pertencer a todo o resto. A consciência de que o que não faltou foi tentativa. Talvez a culpa seja do excesso de tudo o que não existe. O quase cair em caminho sem volta. A ausência do apreço por aquele assunto em questão. O fechar de olhos para aquilo que não me diz respeito. O descaso com linhas de raciocínio que não vão dar em lugar algum. A preguiça de me provar para um bando de desprovidos de um mínimo de “eu”.

Viagens em horas impróprias. Coragem para as coisas erradas nos dias errados. Lucidez não aproveitada por ser cedo demais. Cedo não, tarde. Tarde demais. E finalmente o cansaço e uma decisão. A desistência embasada em coragem. Talvez o nome seja aceitação. Não, nem de longe. É só mais um pouco do efeito dos ecos das coisas em que não acredito. Em que não quero e nem ao menos posso acreditar. Se eu ainda pudesse... talvez não o faria. Talvez. É só mais um pouco de mim e daquilo que não compreendo acerca dos outros. É só mais um pouco daquilo que talvez nunca faça sentido. É só mais um pouco do muito que ainda nos falta. E é só isso.


Em vão


Tentativas em vão, sem emoção. Não há razão, conhecimento ou compreensão. 

Não há nada que valide ou mesmo motivação. Apenas tentativas em vão de provar a si mesma que ainda existe coração.

Pena que nunca houve êxito iniciado em provação. Nunca houve resposta provinda de comoção. Nunca houve nada que não fosse a negação.

Mesmo que ainda houvesse intenção. Pouco importa o medo ou, vindo deste, a união. Não sabe nem de onde veio o ensejo para tanta divagação. 

Mais uma tentativa falha de se estipular um padrão? Temes que, afinal, tudo seja ficção. Só não faça perguntas porque, a reposta? Será não.


Chega



Chega de tentar se provar em todas as milimétricas atitudes, a cada passo hesitante, a cada movimento involuntário. Chega de achar que alguém que não se importa vai passar a se importar a partir de mais um ato impensado e, ao mesmo tempo, cuidadosamente planejado.

Chega de achar que alguma coisa mudou dentro daquele universo que você julga tanto conhecer, mas que na verdade desconhece até mesmo a porta de entrada. Que dirá a de saída? 

Chega de tentar colocar algum nexo nas palavras que você sabe que nem em sua própria mente fazem sentido. Chega de existir para os outros. Chega de tentar enxergar-se da maneira que o mundo te enxerga. Impossível, desnecessário.

Apenas chega. Chega de tanta energia desperdiçada. Chega de infindáveis tentativas de impedir divagações fora de hora. Chega de tentar impedir qualquer coisa que seja. Pelo menos pelos motivos ponderados. 

Por fim, chega de dizer chega. O mundo está aí, como sempre soube que estava. A diferença é que agora sabe que não há diferença alguma, nem nunca haverá. Nem uma sequer. 

Cada frase sem sentido, cada sonho mal interpretado, cada conselho provindo de voz invisível. Tudo continua ali. E você continua tentando algo que tem quase plena certeza de que não resultará em coisa alguma. Ainda bem que a certeza não é plena. Ainda bem que sabe o significado da palavra "etérea". Ainda bem que tentará retroceder e, por fim, desistirá. E finalmente entenderá que o fim está fora de alcance. Mais ainda do que o início. E finalmente entenderá.


Old books


OE, gente. Este é o primeiro post do blog (Ah não, sério?). Vocês podem me perguntar o porquê da imagem do post inicial serem livros antigos e eu vou responder que é porque eu gosto de livros antigos. Vocês podem me perguntar o porquê do nome do blog ser Eveline Granger e eu vou responder que é porque eu gosto desse nome. Vocês podem me perguntar qualquer coisa, mas não vão, porque ninguém vai ler esse blog, hihi. 

Mas, se alguém for mesmo perguntar alguma coisa, me pergunte o porquê de eu estar escrevendo tanto num post inicial de um blog que ninguém vai ler. Porque essa eu não vou saber responder.